domingo, 30 de novembro de 2008

A assinatura de um Camelo

O Jornal da Tarde do serviço público brindou-nos, mais uma vez, com a história de um senhor de Viana do Castelo a quem um padre terá recusado o nome Camelo, chamando-se, apenas, António Martins da Rocha.
O Sr António Martins da Rocha não se conformou com esta situação e levou a vida a lutar para que o seu nome fosse corrigido para António Martins da Rocha Camelo. Agora, finalmente, a "injustiça" foi corrigida e o Sr Camelo festejou o momento porque o orgulho em ser Camelo é grande, juntando 60 convivas num jantar, com direito a televisão (porque a história o merece!) e a um quadro retratando um verdadeiro camelo.
Temos mais um Camelo na terra (Viana do Castelo).

Construção da estação do Rossio, Lisboa

Fotografia impressionante da construção da estação central do Rossio, em Lisboa, inaugurada em 1890. Deste conjunto fazia parte a construção do edifício da estação com a monumental cobertura metálica, o edifício anexo para hotel, o túnel e as rampas de acesso que passaram a ligar ao Largo do Carmo.

CP-GHM, in "Os Caminhos-de-Ferro Portugueses 1856-2006"

Chegada do primeiro comboio à estação de S. Bento, Porto

Foto da Fotografia Alvão documentando a chegada do primeiro comboio à estação provisória de S. Bento, em 7 de Novembro de 1896. A composição foi rebocada pela locomotiva "Miragaya", fabricada nesse ano em Inglaterra pela Beyer Peacock, e conduzida pelo maquinista Thomaz Pelekiton.

Foto Alvão CP-GHM, in "Os Caminhos-de-Ferro Portugueses 1856-2006"

Construção da estação de S. Bento, Porto

Fotografia da Foto Alvão das obras de construção da estação de S. Bento, no Porto, projecto do arquitecto José Marques da Silva. Esta localização foi muito contestada pela Irmandade de São Bento da Avé-Maria, cujo mosteiro foi preciso desactivar. A foto mostra os pormenores desta construção gigantesca para a época sendo bem patentes os meios envolvidos.

Foto Alvão - CP-GHM, in "Os Caminhos-de-Ferro Portugueses 1856-2006"

Construção da Ponte D. Maria I

Fotografia da construção da Ponte D. Maria I, projecto do Engº Seyring, contruído pela Casa Eiffel.
Impressionante os pormenores de construção desta ponte em que os apoios intermédios foram substituídos por um arco, o maior do mundo de então.

Fotografia CP-GHM, in "Os Caminhos-de-Ferro Portugueses 1856-2006"

sábado, 29 de novembro de 2008

Notas sobre movimento saudosista III

Continuação

"... Não foi só no espírito de Pascoaes que o Saudosismo sobreviveu; foi na obra dos poetas saudosistas...

Passando do espírito de Pascoaes para a doutrina e da doutrina para a obra de vários poetas, o Saudosismo não constitui propriamente uma escola literária. Uma escola tem manifesto e um programa definido. Pascoaes fez manifestos patrióticos, digamos, filosóficos, mas não propriamente literários.

Apenas aconselhou que se cantasse a saudade, que se procurasse na ausência a presença verdadeira, que se cultivasse o verso escultural (de que não deu uma definição precisa).

...

Os poetas que mais se distinguiram nas colunas da revista (Águia) foram Afonso Lopes Vieira, António Correia de Oliveira, Jaime Cortezão, Afonso Duarte, Augusto Casimiro e Mário Beirão...

Fernando Pessoa, que escreveu vários artigos na Águia, foi quem primeiro tentou apresentar, em síntese, as notas distintivas da poesia saudosista (refere-se à nova poesia portuguesa, o que é o mesmo). São elas, no parecer de Pessoa, o vago, a subtileza e a complexidade.

Esclarece que vago não significa obscuro, antes implica uma ideação que tem o que é vago ou indefinido por constante objecto ou assunto. Diz que entende por subtil a ideação que traduz as sensações por expressões detalhadas em elementos interiores...

Finalmente, afirma que a complexidade se liga ao anseio do transcendente dos poetas do seu tempo, imbuídos do panteísmo, desejosos de espiritualizar a matéria e de materializar o espírito, o que dá origem a imagens arrojadas e admiráveis...

Noutro lugar, Fernando Pessoa apresenta três novas características da poesia saudosista: a não-popularidade, a anti-tradicionalidade, a nacionalidade. Aqui Fernando Pessoa não é feliz, porque alguns dos poetas saudosistas fizeram poesia de sabor popular que o público apreciou. Além disso, Pessoa confunde as tendências políticas da Águia com as tendências literárias dos saudosistas e daí o chamar anti-tradicionalista uma poesia que continua perfeitamente a tradição lírica portuguesa.

Por seu turno, Philéas Lebesgue apontou na corrente saudosista, além da preferência pelo tema saudoso, o tom elegíaco, a postura contemplativa, um sentido inato do mistério, desperto ante as coisas mais rasteiras. "Um traço comum, inédito, caracteriza estes poetas de um povo em crise de ressurreição: aspiram: comungam doidamente nas coisas. Apaixonadamente preocupados com a natureza, só pensam por imagens, que o seu entusiasmo espiritualiza. Assim a nova poesia é uma poesia sintética, uma poesia da alma. Subtilmente evocadora, distingue-se do Simbolismo pela sua perfeita espontaneidade, pelo seu sentido inato do mistério, que a leva a ver o além de todas as coisas.

De facto, o Saudosismo distingue-se principalmente por ser uma corrente literária nacional, que se opõe às tendências desnacionalizadoras da época.
Vemos portanto no Saudosismo dois aspectos principais: o lirismo elegíaco do poeta das Sombras, com o seu mundo característico; o lirismo historicista, artístico e português, de Afonso Lopes Vieira. O primeiro, mais espontâneo e universal; o segundo mais consciente e particularista, de aproveitamento consciente dos valores nacionais."

Notas sobre movimento saudosista II

Continuação

"... De facto, a saudade contém várias características do português: a doçura, o subjectivismo, a tristeza resignada, o gosto amargo de estar ausente."
"... Formulada a primeira ideia, Pascoaes tentoou aprofundar a riqueza psicológica escondida na palavra saudade. Quis penetrar assim no âmago nacional. Naturalmente, incapaz como é de sair de si próprio, elaborou apenas em redor da saudade a sua concepção pessoal do universo, a sua metafísica, a sua religião de poeta."
"... mas a estética de Pascoaes tinha a vantagem de ser nacional, juntamente com o mérito de sugerir motivos e estados psíquicos ricos de poesia.
Até aqui, portanto, nada há que censurar. Pascoaes permanece no domínio do que lhe é próprio, quer dizer, no domínio estético. Infelizmente, o director da Águia quis entrar no domínio prático. Procurou fazer do Saudosismo um programa de acção colectiva. Debaixo dessa bandeira, pregou a criação de uma igreja lusitana autónoma, visto que, segundo ele, a dependência de Roma prejudicou-nos sempre, a tendência separatista é constante na nossa história, o povo português não é católico mas saudoso, ou seja, pagão e cristão ao mesmo tempo. Os santos do "cristianismo português" seriam a Família, a Pátria, e um Deus que não passa da "representação do mais sublime anseio da alma".
Transitando para o terreno político, defendeu uma democracia rural, municipalista, religiosa à sua maneira. Também isto era, para ele, o Sadosismo; porque a saudade deveria guiar-nos em tudo, fazendo-nos, pela lembrança, reviver o nosso passado glorioso, e, pelo desejo, construir um futuro digno desse passado. A saudade seria a deusa do renascimento português.
... A crítica mais completa foi iniciada por António Sérgio...
António Sérgio afirmava, acima de tudo, esta coisa simples: o desejo saudoso dilui-se numa tristeza resignada, enquanto o desejo fecundo, o desejo dos povos fortes, é moço, alegre, entusiasta, todo dirigido para o porvir. Por isso a saudade não servia de estímulo a um renascimento nacional; pelo contrário, deprimia cada vez mais os portugueses.
... Já nessa data (1917) o Saudosismo tinha morrido. Pascoaes abandonara, em 1916, o combate. Mas não transigira nunca (era impossível), porque D. Quixote não transige com Sancho."

Continua

Notas sobre movimento saudosista





Há dias reencontrei esta notável obra de Jacinto do Prado Coelho, "Teixeira de Pascoaes - Ensaio e Antologia", publicado na Atlântida Livraria Editora, de Coimbra, em 1945. Trata-se de uma obra incontornável na abordagem da poesia de Pascoaes.
Prado Coelho estrutura o seu ensaio da seguinte forma: enquadramento biográfico, influência da paisagem, vozes da infância, percepção do mundo, o poeta da saudade, o cavaleiro do Graal, canto de alegria canto de tristeza, o sentimento da humanidade, a arte de Pascoaes e a Metafísica de Pascoaes.
Segue-se um antologia poética com 29 poemas, extremamente bem escolhidos (onde não falta "a uma fonte que secou", "canção monótona", "canção de uma sombra", etc,).
Na 3ª parte, Prado Coelho apresenta em 25 notáveis páginas, "Nota sobre o movimento saudosista".
Aborda a questão da Revista Águia e do movimento da Renascença Portuguesa. "Durante os quatro anos em que dirige a Águia, Pascoaes divulga o seu pensamento como se faz uma cruzada, porquanto transmitir ideias e actuar nos outros são também exigências do seu espírito. Toda a sua obra, quer em prosa quer em verso, resulta de um imperativo íntimo tão categórico e premente que, na febre do entusiasmo, é obrigado a escrever à pressa, conforme declara numa carta de Setembro de 1912 a Boavida Portugal: "O meu pensamento poético desenvolveu-se em mim com tal rapidez que, para não lhe ficar atrás, tive de o exteriorizar em livros escritos à pressa. Compreende-se, portanto, a necessidade de corrigir e aperfeiçoar a minha obra, que já consta de dez volumes compostos e publicados num período de onze anos. Só peço a Deus saúde e tempo para conseguir este maior desejo da minha vida, a única razão da minha vida. O amor que dedico à minha obra não é somente um amor paterno. Amo-a, porque estou convencido de que ela deu ao espírito português alguma coisa que lhe faltava.
Pascoaes devia pensar principalmente, ao escrever esta última frase, no que ele considera a revelação aos portugueses da sua alma colectiva, revelação cumprida por meio de uma interpretação nova da saudade. Esta palavra Pascoaes aceita facilmente que seja intraduzível, porque foi criada pelo nosso povo e nenhum povo como o nosso pode ser tipificado, em conjunto, pelo sentimento, saudoso. De facto, o nosso povo distinguiu-se sempre, na história e na literatura, por este sentimento. Mas não tinha consciência dele, não conhecia as energias latentes e o significado profundo do génio nacional. Só na segunda década do século XX Pascoaes veio trazer-lhe essa consciência, através do Saudosismo. Daí o afirmar: "A Saudade procurou-se no período quinhentista, sebastianizou-se no período da decadência, e encontrou-se no período actual" (O Espírito Lusitano). "
Continua

A propósito de nada e de tudo

"A ignorancia he a inimiga mais irreconciliavel da liberdade".

in Decreto de fundação da Real Biblioteca Pública do Porto, 9 de Julho de 1833, há 175 anos.

Automóvel

Chegou há dias do Porto o digno escrivão do 4º Offício sr. António Celestino de Vasconcellos, que ali fora adquirir um carro automóvel. É o primeiro que se vê nesta villa. o que demonstra que o sr. Vasconcellos é um cavalheiro arrojado e de muito gosto. Já fez algumas experiências com a sua nova carruagem, mostrando-se satisfeito.

In Jornal "Flor do Tâmega", de 9 de Setembro de 1900

Vista da Exposição Agrícola

12 photografias 9x12; 13x18; 18x24, 200, 300, 500 réis. Vendem-se na redacção da Flor do Tâmega.

In Jornal "Flor do Tâmega", de 20 de Dezembro de 1908

Photografias

Tanto da villa como dos arredores, vende-se photografias, tamanho 9x12, a 200 réis o exemplar. Há variada colecção. Trabalho perfeito.

in Jornal "Flor do Tâmega", de 7 de Janeiro de 1900

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Faltam 115 dias

... Para o Centenário da Inauguração do primeiro troço da Linha do Vale do Tâmega - Livração-Amarante.

Desculpem a notícia mas justifica-se...

Tribunal inglês decidiu extradição de Vale e Azevedo
Hoje às 15:31

O Tribunal de Westminster decidiu extraditar o ex-presidente do Benfica para Portugal, segundo avança a agência Lusa. Vale e Azevedo vai recorrer da decisão.
O Tribunal de Westminster ordenou hoje a extradição de João Vale e Azevedo para Portugal, tal como pretendiam as autoridades judiciais portuguesas, mas o processo vai continuar porque o ex-presidente do Benfica vai recorrer da decisão.
O advogado de Vale e Azevedo, Eduard Perrot, disse estar convicto que havia razões para apresentar recurso junto do Tribunal Superior britânico, equivalente ao Supremo Tribunal de Justiça em Portugal, tendo sete dias para o formalizar.
Em causa no processo está um mandado de detenção emitido em nome do ex-presidente do Benfica no chamado caso Dantas da Cunha, no qual João Vale e Azevedo foi condenado em Outubro de 2006 a sete anos e meio de cadeia pela prática de crimes de falsificação e burla qualificada.
No início de Novembro, o juiz britânico que tinha analisado o pedido de extradição mostrava-se inclinado a aprovar o pedido com base no primeiro mandado que foi emitido em Junho, sugerindo a eliminação do segundo mandado com data de Outubro.
No entanto, João Vale e Azevedo recusa-se a voltar a Portugal, alegando que o processo de cálculo do cúmulo jurídico pode demorar meses, durante os quais estaria preso. Uma medida que o ex-presidente do Benfica rejeita, por considerar que já cumpriu o mínimo requerido.

Les Lavandières du Portugal

Reprodução de folheto dos anos 50 de "Les Lavandières du Portugal"





quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Lavadeiras - 12

As Lavadeiras do Leça


Bonito postal das lavadeiras do rio Leça , Ermesinde, circulado em 1938. Para além da juventude e beleza simples da jovem, sobressai a ruralidade e ambiência dos anos 30 em Portugal.

Destacamos os pormenores que nos parecem mais ricos: o vestuário usado pela mulher e pela jovem, o cesto da roupa, os socos nas mãos da mulher e o caixote de madeira para proteger os joelhos e as pernas.

Ninguém fica indiferente à sua beleza.

Vista e costume - Lisboa

Vista e Costume de Lisboa

Outro postal de grande qualidade, dos primeiros anos do século XX, enquadrável no tema de costumes. Retrata a ponte de Sacavém e a figura de um velho pescador.

Trata-de de uma fototipia animada, repleta de pormenores deliciosos: a ponte, os barcos, a igreja, o pescador.


Centenário da Linha do Vouga



Museu do Espumante - S. João de Tarouca



No domingo, fomos por aí acima, por Terras d' Além Douro, nos nossos queridos clássicos. Mesão Frio, Régua, Armamar, Mosteiro de Salzedas, Ucanha (não há palavras!) e Paço D'alvares (Museu do Espumante). Imperdível. O resto, foi Nª Sra dos Remédios e o regresso por locais onde não passava há mais de ... 20 anos. Como diria o Chico Buarque, Foi bonito, pá.

Telhados da minha terra




Folhas caídas

Rio Tâmega - Manhã de Outono



Amarante - Manhã de Outono



sábado, 22 de novembro de 2008

Nos 100 anos da Linha do Vouga

"...
Um comboio de manhã e outro à noite bastam para manter o Vouga neste espanto. Da ponte de pedra frente à Igreja de Vouzela vê-se chegar o comboio: ele passa pela ponte, atravessa-a até parar na estação. Depois, se ficarmos sentados nos bancos do jardim em frente à igreja, é como se a linha do Vouga tivesse acabado e ninguém mais pudesse chegar à Estação de Vouzela, nem ninguém mais pudesse partir para as terras de S. Pedro do Sul, a banhos.
Pelo caminho, antes de Vouzela, só há pássaros. E arvoredo, ainda que os guias turísticos digam ser luxuriante. Será. Como os lugares assim a entrar em desconhecimento, como os paraísos. Os últimos, evidentemente."
Francisco José Viegas, in "Comboios Portugueses - Um Guia Sentimental", Círculo de Leitores, 1988.

Linha do Vouga - Fotografia de Maurício Abreu

Fotografia de Maurício Abreu, in "Comboios Portugueses - Um Guia Sentimental", texto de Francisco José Viegas, fotografia de Maurício Abreu, Círculo de Leitores, 1988

Centenário da Linha do Vouga



23 de Novembro de 1908 - Inauguração da Linha do Vale do Vouga

Extracto da "Ilustração Portuguesa" com fotografia da inauguração do caminho de ferro do Valle do Vouga. Passagem do comboio real pela estação de Espinho-Vouga em direcção a Oliveira de Azeméis.
O comboio era formado por locomotiva da Compagnie Française por la Constrution et Exploition de Chemin de fer à l'Étranger - Lignes du Vale du Vouga e carruagens especiais emprestadas pelos CFE - Minho e Douro, recentemente adquiridas para a Linha do Corgo.

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

E o Centenário da Linha do Vale do Tâmega?

O 1º Comboio chegou a Amarante em 21 de Março de 1909.
Faltam 120 dias para comemorar o centésimo aniversário da inauguração do primeiro troço da Linha do Vale do Tâmega -Livração-Amarante- que deveria prolongar-se e ligar a Linha do Douro (Livração) a Espanha (por Chaves - Verin). O futuro não quis assim e a Linha do Vale do Tâmega ficar-se-ía pelo Arco de Baúlhe
Faltam 120 dias e 21 de Março será num sábado.
Com o passar dos dias, em contagem descrescente, falaremos deste assunto.

100 Anos da Linha do Vouga

Fotos magníficas de Mário Ferreira da Silva da Linha do Vouga que no próximo domingo festeja 100 anos






100 Anos da Linha do Vouga

A Linha do Vouga comemora 100 no próximo dia 23 de Novembro, domingo.
A construção da Linha do Vouga começou em 1907 e ligou Espinho a Oliveira de Azeméis, estendendo o seu percursa até Sernada do Vouga.
Passados uns anos chegou a Viseu, ligando a praia à serra.
Foi construída pela "Compagnie Française pour la Construction et Exploation de Chemins de Fer à l'Étranger" e foi inaugurada em 23 de Novembro de 1908 pelo Rei D. Manuel II.

Marcado do Peixe 24 Julho - Lisboa


Lisboa - Mercado do Peixe
Este é dos mais belos postais que conheço.
Pelo pormenor, pelos personagens, pela ambiência, pelas mulheres com os cestos à cabeça, pelas carroças e pela qualidade e técnica utilizadas.
E, já agora, pelo testemunho com 100 anos da actual Avª 24 de Julho "e altos das Chagas e Santa Catarina".
Trata-se de um postal cuja técnica é a fototipia animada, editado entre 1900 e 1902, com o nº 61, pelo grande editor lisboeta FAM - Faustino António Martins, do Largo de Camões (repare-se no monograma FAM no canto infeior direito).
Conhecemos uma outra edição, posterior a esta, numerada com o nº 634, provavelmente de 1905, das Edições Martins (do mesmo editor).
Trata-se de um postal adquirido num coleccionador em França, não circulado, que estimamos seja de 1900/1902, podendo o cliché ser anterior a 1900.
Ainda um dia hei-de tentar fazer uma fotografia tentando apanhar este mesmo ângulo. Deve ser interessante comparar 100 anos de vida!

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Lavadeiras - 11

Lavadeiras no rio - Nazaré

A temática das lavadeiras, a par dos temas relacionados com o mar, teve sempre um particular destaque na produção de postais. Hoje apresentamos um postal dos anos 70, da "Âncora - edições artísticas de artigos para felicitações - Lisboa", com particular destaque dado às (sete) saias das lavadeiras. Coisas dos anos 70!

Carroça de S. Miguel - Açores


"Carroça é carneiro em S. Miguel - Açores"
Este postal não deixa ninguém indiferente. Vi-o numa loja na internet, sediada na Bélgica, e de imediato fiquei fascinado.
Dos primeiros anos do século XX, editado por "Café Tavares, Largo Conselheiro João Franco", não circulado nem datado, retrata o ambiente rural de S. Miguel com a particularidade da carroça carregada de pequenos pipos ser puxada por... um carneiro.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Lavadeiras 10

L'Áfrique Noire - Les Lavandières

Postal dos anos 60 editado por Editions Hoa-qui, Paris, "photo veritable", mostrando lavadeiras em África. Um postal de contrastes e de imaginação.

Lavadeiras 9

NICE - Lavandières du Paillon

Excelente postal francês, animado litograficamente, do início do século XX, circulado em Maio de 1906. Collections ND. Phot.
De grande beleza, este postal de Nice é rico nos pormenores: Os chapéus das mulheres, as cestas de vime, as saias compridas, o estandal da roupa branca a secar. Lindíssimo.

domingo, 16 de novembro de 2008

Amadeo - Dia 69





O Grupo de Amigos do Museu Municipal Amadeo de Souza-Cardoso editou uma "Colecção de Pratos Cerâmicos", composta por seis exemplares, de edição numerada e limitada a 200 exemplares cada, com a reprodução de desenhos de Amadeo da colecção "XX Dessins". Dois pratos foram lançados em 2005, "Sur la Terrasse" e "Les Faucons" e os restante quatro em 2006, "Mauresques", "La Chevre enchantée", "Mère et Enfant", e "La détente du cerf".

Lavadeiras - 8



Lavadeiras do Rio Tâmega - Anos 60

Numa altura em que Amarante presta homenagem a Mestre Eduardo Teixeira Pinto, nada melhor que apresentar uma das suas emblemáticas fotografias das Lavadeiras do Rio Tâmega (anos 60).

Homenagem de Amarante ao Mestre Eduardo






Pedro Bastos escreveu, com as palavras a brotarem-lhe do coração, no catálogo da Exposição "O Prazer de Fotografar" de Mestre Eduardo Teixeira Pinto, um lindíssio texto que, com a devida vénia, reproduzimos parte.

"...

É um filho do Rio - sentinela atento e vigilante das suas águas calmas ou agitadas; o companheiro dos eternos e devotos pescadores; o advogado de defesa das lavadeiras que violentam as roupas íntimas contra as paredes graníticas das suas margens onde a corar as adormecem; o condutor das esbeltas e elegantes guigas, bem como dos enormes e robustos barcos de guerra como o grande "Jaburu"; o maestro que do cimo dos seus moinhos e açudes dirige e embala vaporosas e melodiosas sinfonias; o historiador dos primitivos colonos e exploradores de areias; o pirotécnico das imagens quase míticas de um fogo que arde e que se vê, abraçado a um nevoeiro pessoal e exclusivo; o comandante dos patos e gansos fardados de branco que da parada do quartel general do Mosteiro de S. Gonçalo desfilam e viajam pelo mundo, em bilhetes postais.

É a figura tutelar das árvores ribeirinhas que através das suas folhas, quais lençóis perfumados, protegem do frio e do calor o leito nupcional das suas águas.

É o testamenteiro das figuras típicas que fantasiaram as ruas e quelhas dos seus roteiros - "O Quianho", "O Calor", "O Arado", "O Catarino" e tantos outros.

É o espelho onde as crianças, algumas delas ciganas, de olhares únicos e quase imortais, depositam rostos de sonho e eternidade.

É o descobrir de mulheres idílicas que se exibem pelas "passerelles" estendidas ao longo de caminhos íngremes e pedregosos de muitas aldeias ou de outras que vestidas de negro vendem castanhas assadas embrulhadas em gargalhadas de fumo.

É o intruso dos homens das feiras de gado, dos seus negócios, discussões ou conversas.

É o senhor que testemunha os grandes acontecimentos - as cerimónias públicas e de Estado, as reuniões e convívios da aristocracia amarantina, os luxuosos e modestos casamentos, os actos religiosos, o universo aberto ou íntimo dos retratos de família.

Todo este saber de experiência feito preenche um nome - EDUARDO TEIXEIRA PINTO ou, como prefere, apenas, EDUARDO."

Exposição: O Prazer de Fotografar
Autor: Eduardo Teixeira Pinto
Local: Biblioteca Municipal Albano Sardoeira - Amarante
De 15 a 26 de Novembro de 2008

Entrevista de Manuel Alegre

Gosto do Manuel Alegre da poesia. Menos do político.
Hoje, o político dá uma entrevista ao DN e diz algumas coisas interessantes. Embora abuse do tique de "estar dentro a querer estar fora" sem se perceber muito bem se está ou não e com quem. Ou se está só às vezes. Ou porque não ajuda a mudar o que está mal. E é muito.
Ou será que continua convencido que um dia, quem sabe, será Presidente da República?
Apesar disso, vale a pena ler. Para estar informado. (E para memória futura).

"...

E o senhor vota PS, ainda? A este tempo de distância das eleições...

Votei sempre PS. Em princípio, estando no PS, votarei PS.

Estando no PS?...Pois, daqui até lá...

Já sentiu vontade de deixar o PS e passar a ser deputado independente, por exemplo?

Não, isso nunca faria. Passar a ser deputado independente não, sendo eleito pelo PS.

Se deixasse de ser do PS...

Já aconteceu, dentro do PS e noutros partidos...

Sim, mas eu não faria isso.

Mas, não estando no PS, onde é que o senhor poderia estar?

Eu estou no PS. E estou no PS há mais tempo que a maior parte dos seus actuais dirigentes. Fui uma das pessoas que construíram este PS e que o enraizou na sociedade portuguesa. Os dirigentes do PS sabem isso muito bem, tanto que, quando tivemos um confronto - confrontos internos já não vale a pena porque já sabemos como é aquilo - nas urnas, na opinião pública, eles sabem qual foi o resultado, não devem ter esquecido.

A este tempo de distância, vê-se a participar numa campanha eleitoral ao lado do seu camarada José Sócrates?

Isso é um problema! Estou, digamos, num período de reflexão. Fui candidato às eleições presidenciais, tive aquela votação, não foi um milhão, foi mais de um milhão, foi um milhão e cento e trinta mil...Peço desculpa pelo arredondamento [feito no lançamento da entrevista na rádio].[risos] Foi um milhão e cento e trinta mil. E isso deu-me uma certa responsabilidade. Há muita gente que se volta para mim, e eu não sou a Santa da Ladeira, e me pede uma solução milagreira. Eu não tenho nenhuma solução milagreira no bolso, mas tenho uma responsabilidade cívica perante aqueles que confiaram em mim. Não posso envolver-me numa campanha eleitoral se não estiver de acordo com o programa político nem com as políticas. Nem posso apoiar pessoas que nada têm a ver comigo, quer do ponto de vista político quer de outros pontos de vista.

No partido ou no Governo?

No partido e no Governo.

E está a falar de José Sócrates, que é o líder do PS e primeiro-ministro?

Com o José Sócrates tenho tido uma boa relação pessoal. Por vezes muito tensa do ponto de vista político, como é agora o caso, mas boa do ponto de vista pessoal. É até interessante conversar com ele. Mas para apoiar Sócrates terei de apoiar alguns dos seus apoiantes, e isso não posso fazer. E teria de apoiar algumas políticas... Teria de fazer, digamos assim, de impor condições que não sei se ele estaria disposto a aceitar ou se teria possibilidade, mesmo, de as levar à prática.

Isso significa que não será candidato a deputado nas próximas legislativas?

Dificilmente.
..."

http://www.dn.pt/

Rótulo Vinho da Casa de Meios



Por gentileza do amigo António Patrício, apresentamos um rótulo do vinho da Quinta de Meios de finais do século XIX, muito antes da criação da Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes (1908).

Trata-se de um belíssimo exemplar onde se destaca a medalha demonstrativa da atribuição de um prémio em 1888 (no canto superior esquerdo), o gato grande (Gatão) com várias medalhas na coleira tentando apanhar um pássaro que sustenta dois cachos de uvas e os pipos de vinho.

A riqueza deste rótulo deve-se à visão de José Albano Brandão, grande amigo da família da Casa de Pascoaes com quem aparece fotografado em 1895 (foto de A. Teixeira Carneiro) que ficaria conhecido pela ligação à arte equestre.

Telhados e recantos





Mais telhados