Hoje, 21 de março, assinalam-se várias datas de relevo: Dia Mundial da Poesia; da Árvore ou da Floresta; o Dia Internacional Contra a Discriminação Racial e o da Síndrome de Down.
Assinala-se, também, o
dia do Centenário do Nascimento de Maria Eulália Macedo.
A 21 de março de 1921,
nasceu na freguesia de S. Gonçalo, Maria Eulália Macedo.
Nascida numa das mais
conhecidas famílias amarantinas, Eulália Macedo teve uma vida marcada pelo
convívio com homens e mulheres da cultura, como Teixeira de Pascoaes, Maria da
Glória Teixeira de Vasconcelos, Maria do Carvalhal, Sophia de Mello Breyner
Andresen, Germana Tânger, Alexandre Pinheiro Torres, João de Vasconcelos,
Jacinto Prado Coelho, Maria Ondina Braga, entre muitos outros.
Mulher de cultura, grande
humanista, foi sempre uma mulher do povo que cantou a sua terra e as mulheres
da sua rua.
Foi professora,
catequista, escreveu, pensou e, sobretudo, amou a sua terra como a sua terra sempre
a amou.
Jacinto do Prado
Coelho, na apresentação ao livro “Histórias de Poucas Palavras” escreve: ”Só um temperamento feminino, delicado e
vibrátil, poderia ditar as Hiatórias de poucas Palavras… Já em relação às
pessoas Maria Eulália Macedo se divide: adere à gente do povo, tem quase um
respeito sagrado por certos marginais, a louca, o rapaz epiléptico, ciganos,
“filhos do vento”, homens e mulheres curtidos pela vida inclemente, vítimas da miséria
ou do desamparo; por vezes, contudo, o seu olhar torna-se mais frio, põe em
relevo o pitoresco dos tipos, denuncia a futilidade, o convencionalismo snob
das “pessoas especiais”. Distingue entre o trágico e a mediocridade social, a
pequenez hipócrita da “comédia humana”.
Domingos Monteiro
escreveu no livro “Raízes”: “Maria
Eulália Macedo – a Lala – Como a conhecem em Amarante, como há-de ser sempre
conhecida no mundo das letras, cresceu à sombra de duas montanhas: Pascoaes e o
Marão.Com eles aprendeu a linguagem lírica dos versos e das águas, a grandeza
dos horizontes ilimitados, a secura das terras onde pastam rebanhos famintos e
a avidez das raízes que mergulham até ao profundo e para sempre irrevelado
mistério do Universo.”
Maria Ondina Braga, numa
nota ao seu livro “As Moradas Terrenas” escreveu: “Uma escrita fluida e funda que nem um lençol livre de
águas-de-nascente. Águas puras e perenes. Um espelho submerso onde a autora de
as Moradas Terrenas faz milagrosamente reflectir o real e o divino da
Natureza.”
Maria Eulália Macedo
escreve no livro “Histórias de Poucas Palavras”: “Sei, de muito longe o sei, que para mim o único remédio é amar. Amar
as coisas e amar as pessoas, amar as cores, as mutações da hora, o ciclo das
estações, amar o tempo de ser, de lembrar, de colher. Sei que amo tudo o que
comigo está comprometido na eterna aventura de existir. Amo as palavras. Digo:
estrada – navio – lua – cais – areia – e é como se elas fossem meus filhos,
minha mãe, meus irmãos. Ou como se em tudo visse os olhos verdes do menino que
para sempre amei…”
Anos mais tarde, numa
entrevista à revista “Amarante Magazine”, no registo da “Canção de uma Sombra”,
de Teixeira de Pascoaes, o mais genuíno hino à amarantinidade, disse que “Sem Amarante não seria o que sou”.
Publicou vários livros:
“Construção
de Vento Norte”, 1969, Prémio SNI 1968, dedicado a
Maria Ondina Braga, amiga de uma vida;
“Raízes”,
1970;
“Histórias
de Poucas Palavras” (contos e novelas), em 1971, com
apresentação de Jacinto Prado Coelho, reeditado em 2009;
“As
Moradas Terrenas”, 1994, com introdução de Alexandre
Pinheiro Torres e notas de Maria Cecília Meireles e Maria Ondina Braga.
Participou na colectânea
“Poesia de Amarante/anos 80”.
Maria Eulália Macedo faleceu
a 4 de Dezembro de 2011.
Lala Macedo - Menina
Lalinha - neste dia, como em todos os outros, sentimos a sua ausência no Café
Bar e o(s) tempo(s) de falarmos deste(s) tempo(s). E lembramo-nos de si.
Com saudade,
Pedro Barros
