Em Fevereiro de 1927 rebentaram no Porto e em Lisboa as primeiras revoltas contra a ditadura militar, conhecidas como reviralho.
O levantamento começou no Porto, a 3 de Fevereiro, sob o comando do general Sousa Dias, apoiado por várias forças militares: Caçadores 9, e as unidades militares de Amarante, Penafiel, Valença, Vila Real, Lamego, Vila Real e Chaves, e a GNR, As forças revoltosas apoderaram-se do Quartel General, do Governo Civil e dos Correios e Telégrafos. Aos militares revoltosos juntaram-se algumas centenas de civis.
No direção do combate à revolta esteve o Ministro da Guerra, Coronel Passos e Sousa que dirigiu as operações a partir do Quartel da Serra do Pilar, onde estava sedeada a Artilharia 5, tendo apoio de reforços vindos da Covilhã e de Braga e de um contingente de 1200 homens vindos de Lisboa por via marítima.
Existem estimativas que terão estado envolvidos nos confrontos cerca de 2.500 revoltosos e cerca de 4.000 efectivos militares afectos ao Governo.
Contudo, a revolta acabaria por abortar no dia 7 de fevereiro, sendo notória a falta de comunicação entre os revoltosos.
Em Lisboa, a revolta iniciou-se a 7 de fevereiro, quando já tinha terminado no Porto, estendendo-se até 9 de fevereiro e foi liderado pelo Coronel Mendes dos Reis.
Sem apoios do Exército, foram os marinheiros de Alcântara e do Arsenal da Marinha que iniciaram a revolta, sob o comando do Almirante Câmara Leme e do Tenente da Armada Agatão Lança.
Registaram-se, ainda, acontecimentos na Figueira da Foz, a 3 de fevereiro, no Algarve nos dias 4 e 5 (Vila Real de Santo António, Tavira e Faro) e intentonas em Évora, Setúbal, Barreiro, S. Julião da Barra, Amadora, Queluz. Mafra, Abrantes, Tancos, Entroncamento, Leiria, Castelo Branco, Coimbra, Mealhada, Cantanhede, Aveiro, Viseu, Alijó e Valpaços.
Era o fracasso da revolta conhecido por reviralho.
A maioria do exército esteve com a ditadura no poder e a revolta foi vencida depois de violentos combates.
Cerca de 190 pessoas morreram (entre soldados e civis), 900 ficaram feridas e perto de mil revolucionários foram deportados para África.
Em consequência desta tentativa de golpe, muitos militares do quartel de Artilharia de Amarante seriam presos e deportados para a Madeira e julgados e deportados para as Colónias Ultramarinas e muitos civis seriam igualmente presos, demitidos dos seus cargos e empregos ou exilados sendo o nome mais conhecido o do Dr. António Lago Cerqueira.
